Não sou profeta Nem tão pouco visionário Mas o diário desse mundo tá na cara Um viajante na boleia do destino Sou mais um fio da tesoura e da navalha Levando a vida, tiro verso da cartola Chora viola nesse mundo sem amor Desigualdade rima com hipocrisia Não tem verso nem poesia Que console um cantador A natureza na fumaça se mistura Morre a criatura e o planeta sente a dor O desespero no olhar de uma criança A humanidade fecha os olhos pra não ver Televisão de fantasia e violência Aumenta o crime, cresce a fome do poder Boi com sede bebe lama Barriga seca não dá sono Eu não sou dono do mundo Mas tenho culpa porque sou filho do dono Boi com sede bebe lama Barriga seca não dá sono Eu não sou dono do mundo Mas tenho culpa porque sou filho do dono Uma vez eu conheci uma menina, uma bandida O nome dela era Milena E essa mulher, ah essa mulher, parceiro Quase custou minha vida, minha carreira, minha sanidade mental Mas não tem nenhum dia que eu não lembre de quando eu quase morri nos braços dessa filha da Nos braços de uma morena, quase morro um belo dia Ainda me lembro o meu cenário de amor Um lampião aceso, um guarda-roupa escancarado Um vestidinho amassado debaixo de um batom Um copo de cerveja e uma viola na parede E uma rede convidando a balançar Num cantinho da cama, um rádio a meio volume Um cheiro de amor e de perfume pelo ar Numa esteira, o meu sapato pisando o sapato dela Em cima da cadeira, aquela minha bela cela Ao lado do meu velho alforge de caçador Que tentação, minha morena, me beijando feito abelha E a Lua malandrinha pela brechinha da telha Fotografando o meu cenário de amor Minutos antes, o meu ca- Pega no tabaco Eee aí é outra letra Aquela minha bela cela Ao lado do meu velho alforge de caçador Que tentação, minha Milena, me beijando feito abelha E uma Tekpix escondida atrás da mesa Fotografando o meu cenário de pôr