Escrever pra não chorar Já viu esse pensamento? Infelizmente não dá Pois escrevo meu lamento Que é viver na cidade Longe das dificuldades Que tinha o meu sertão Apesar do desespero Por não se ver o dinheiro Nunca me faltou o pão Nunca me faltou espaço Pra eu correr e pular Hoje aqui num terraço Meu filho vive a brincar Não pode sair pra rua Que é à vontade sua Por que isso é um perigo Como um pássaro sem asa Vive preso numa casa Isso não se deu comigo Nunca me faltou brinquedo Era um novo a cada dia Enquanto os daqui compram Lá eu mesmo fazia Cavalo de pau, bola de meia Carro de lata, castelo de areia Minha imaginação Hoje os filhos na cidade Sem nem uma habilidade Assiste televisão Até mesmo os pais Sem ter muito que fazer Passava tempo com os filhos Ensinando a viver Já aqui na cidade Longe da tranqüilidade O tempo todo é correr Vejo o filho perguntar Mas o meu tempo não dá Pra sentar e responder Realmente a vida aqui É diferente de lá E mesmo achando ruim Eu não posso mais voltar Foi aqui que eu aprendi E só então descobri Que esse mundo vai passar A fome e a doença O crime e a violência Isso não mais haverá Então não importará Onde vamos residir Sé no sítio ou na cidade Sé aqui ou se é ali A terra será igual Sem existir mais o mal Será uma perfeição A terra um paraíso Novo céu, novo Juízo Nova administração