Eu tinha um nome, um terno Uma mesa e um escritório Mas em poucos meses a dor Apagou toda a minha história O vício e a depressão Me deixaram sem direção Apenas uma mochila nas costas E o endereço de uma casa de passagem na mão No beliche frio de ferro Entre rostos que eu não conhecia O silêncio gritava tão alto Que a esperança quase morria Mas um homem sentou ao meu lado Sem discurso, sem me julgar Ele só ficou em silêncio Enquanto me via chorar E naquele instante entendi Mesmo sem ouvir Sua voz Deus não havia me deixado Ele ainda cuidava de nós Pois no vazio do meu pensamento Ele se faz presente aqui Transforma desertos em fontes E faz a esperança florir Não existe noite tão longa Que Sua luz não vá tocar Não existe vida caída Que Ele não possa restaurar Crescer num abrigo é viver Em uma espera sem fim Ver outros sendo escolhidos Enquanto ninguém escolhe a mim Eu perguntava ao vento Com o coração a sangrar O que existe de errado comigo Para ninguém me levar? Sem raízes, sem rumo No vazio do meu pensar Eu buscava um sentido Para continuar a caminhar Mas na pequena capela Eu aprendi a verdade maior Antes de qualquer família Eu já era amado pelo Senhor Ele conhecia meu nome Antes mesmo de eu nascer Naquele dia entendi Que jamais iria me perder Cheguei na casa de apoio Com a alma cansada de lutar Minha dignidade perdida E as mãos vazias no ar Eu olhava para meus erros Sentindo vergonha de mim Só via as batalhas perdidas E imaginava o fim O tratamento era duro Cada dia parecia uma cruz Mas na dor descobri Que Deus também trabalha na luz Ele usa o silêncio da pausa Para nos reconstruir do chão Precisei perder tudo Para encontrar a Rocha da salvação Hoje cada cicatriz que carrego É prova que não desisti Pois quando eu pensei que cairia Foi Deus quem segurou minha mão ali No lar adotivo o medo Ainda morava em mim Achava que a qualquer momento Meu mundo chegaria ao fim Não conseguia descansar Sempre esperando partir Com medo de novamente Alguém desistir de mim Mas um dia minha mãe disse Com lágrimas em seu olhar Você não precisa ser perfeita Para aqui poder ficar E naquele abraço entendi O amor que Cristo nos deu Ele não nos chama de filhos Porque somos bons Mas porque o amor nasceu em Deus O vazio de não ter lugar Naquele momento se desfez Pois descobri que em Cristo Tenho um lar eterno de uma vez Viu, meu filho? Não existe abismo profundo Que Minha voz não possa atravessar Eu Sou o Verbo que não se cala Mesmo quando o mundo parece silenciar Eu recolho cada lágrima E escrevo o teu amanhã Pois Minha misericórdia se renova Em cada nova manhã E no vazio do meu pensamento Onde eu achava ser o fim Eu esperei em silêncio Crendo que o Senhor ouviria a mim Eu sabia que um dia Minha voz iria alcançar o céu E hoje sei que era o Senhor Que caminhava ao lado meu Com Teus anjos enviados Mesmo quando eu não podia ver Vinham guardar meus caminhos E minha esperança proteger No silêncio Tu cuidavas Zelando de mim sem cessar E hoje, restaurado pela Tua graça Minha vida volta a cantar Agora estou de pé, Senhor Pronto para Te servir enfim Pois tudo o que sou e tenho É para Tua glória sem fim