Foi num sábado calmo demais Daqueles que enganam o coração O Sol batia como sempre bate Mas algo não cabia na canção A mesa posta, o riso fácil O tempo andando devagar Tudo bonito, perfeito demais Pra quem já aprendeu a desconfiar Eu senti no corpo antes da mente Um silêncio estranho no olhar Era paz demais pra ser verdade Era o velho eu tentando ficar E eu deixei morrer ali Sem briga, sem pedir perdão Enterrei o que me mantinha Preso na mesma repetição Não foi você, não foi ninguém Foi só o fim de uma versão Que precisava desse dia Pra ter o último coração Eu sorri como sempre sorria Mas já não era igual O gesto era o mesmo de antes Mas o fundo, era final As palavras vinham bonitas Mas vazias de intenção Era o corpo se despedindo De um padrão que virou prisão Eu vi a cena de fora Como quem aprende a enxergar Quando tudo parece perfeito É onde a mentira gosta de morar E eu deixei morrer ali Sem drama, sem explicação O amor que pedia migalha E chamava isso de conexão Não foi perda, foi passagem Não foi queda, foi direção Aquele sábado levou com ele O último medo de dizer não Hoje eu sei Que o que acaba dói menos Do que viver sem se sentir Hoje eu sei Que amar também é soltar Quando o amor não inclui a si E eu deixei morrer ali O personagem que implorava atenção Ficou o homem que escolhe A própria respiração Se algum dia eu amei de verdade Foi quando parei de insistir Naquele sábado eu perdi um padrão E comecei, enfim, a existir Não foi um adeus falado Foi um silêncio que ensinou Que às vezes o fim mais bonito É aquele que ninguém notou Quem me conheceu no caos Só viu o que o caos deixava mostrar Cada pessoa só merece O que eu posso dar em paz Não é sobre quem acompanha É sobre quem eu sou, afinal O velho eu ficou naquele dia Teve seu último suspiro ali Hoje eu não finjo, não imploro Eu apenas, estou aqui