Não te escrevo por desejo de ficar Mas por saber ficar sem te prender Há um jeito manso, exato, de gostar Que não suplica o tempo de querer É quando o dia cansa de pesar E a alma pede apenas compreender Que amar, às vezes, é saber pousar Sem transformar o voo em depender Há encontros que não nascem de intenção Nem vêm vestidos de promessa ou laço São calmos como o gesto de um perdão E seguem firmes, mesmo passo a passo Pois sabem que o mais raro do coração É o afeto que respeita o próprio espaço