Não te chamo, mas fico na varanda Onde o vento conhece o teu silêncio Há um amor que não pede presença Só vigia, discreto, enquanto anda Aprendi que o querer também se abranda Quando entende o valor do intervalo Há desejos que crescem no intervalo Como a Lua que cresce quando manda Não te prendo, e por isso te aproximo Pois só fica quem cabe na vontade E só arde o que aceita o próprio ritmo Se um dia o tempo abrir sua cidade Estarei onde sempre me confino No lugar onde a espera é lealdade