Punhos cerrados Peito cheio Mente vazia Dentes trincados Hoje eu facilmente sairia por aí E faria uma merda Mas uma merda das grandes Tipo sair por aí e roubar um carro Eu pisaria fundo no acelerador Mesmo sem saber dirigir Uma, duas, três, quatro voltas Puta que pariu! Eu capotei o carro! Mas como acontece nos filmes Eu vou sobreviver Vou me levantar bonito E só com alguns machucados É que eu sou o protagonista da minha vida Caralho! Peito cerrado Mente cheia Dentes vazios Punhos trincados Eu já senti isso antes Achei que tinha superado Mas hoje eu me olhei no espelho E vi aquele jovem revoltado Hoje eu sinto o mesmo que sentia Quando tinha treze anos Olhei nos olhos da minha mãe E disse a ela que seria melhor Ter me abortado Depois disso eu mudei tantas vezes Tantas vezes eu achei ter mudado Mas hoje eu facilmente sairia por aí Como nos velhos tempos Dizendo que o meu nome é Júlio E fumando, sei lá, uns trinta cigarro Mente cerrada Dentes cheios Punhos vazios Peito trincado Hoje eu vou jogar lixo pela janela Botar o som no talo Arrumar treta com os vizinhos Esbarrar em alguém E exigir desculpas Vou fingir que eu é que fui empurrado Hoje eu vou gritar pra rua inteira Que eu não sou barraqueiro Mas se precisar Eu derrubo o mercado Não aceito bala Vou atrasar toda a fila do caixa É hoje que eu cobro O meu troco de dez centavos Dentes cerrados Punhos cheios Peito vazio Mente trincada Hoje era melhor eu ter ficado em casa Mas acontece que eu tava entediado Hoje eu trouxe uma carta na manga Espera, eu disse carta? Eu quis dizer faca! Eu tenho uma faca na manga E quem quiser me provocar É melhor que esteja armado Vou acender uma vela à Madame Satã E fazer uma prece à Maldita Geni Hoje eu vou deitar e rolar com os fracassados Vou mergulhar na lanterna dos afogados E quem me conhece sabe Que eu nado mal pra caralho! Deus que me ajude Porque hoje eu vou dançar com o diabo Punhos culpados Peito amado Espera Eu disse amado? Eu quis dizer armado Punhos culpados Peito armado Mente vadia Dentes amarelados Eu já senti isso antes Achei que era coisa do passado Hoje eu sinto o mesmo que sentia Quando tinha vinte e dois anos E tive minha primeira crise de ansiedade Olhei nos olhos da minha mãe E disse a ela Me abraça forte Porque se você me soltar Eu me mato! Ainda bem que já são quase meia-noite Por hoje chega! Amanhã eu vejo o que eu faço