Sou mulher, e não me iludo mais Com vozes que falam por mim sem jamais Ter sentido na pele, no peito, no chão O peso que é viver com o coração na mão Disfarçam desumanidade de causa Prometem libertar, mas deixam marcas Chamam de empoderar, mas é só ego inflado E no fim, somos nós que limpamos o estrago Cadê a escuta? Cadê a verdade? Não é sororidade se só serve à vaidade Ser mulher é mais que grito e slogan É levantar quem já caiu mil vezes É entender que toda escolha importa Mesmo que não seja a que você fez É reconstruir entre os escombros Enquanto posam de heroínas na vitrine Ser mulher é carne, alma e silêncio Não é bandeira, é cicatriz que define Vejo meninas sendo arrastadas Por promessas rasas, ideias armadas E quando a dor chega, cadê quem gritou? Cadê quem jurava que era por amor? Ideologia sem responsabilidade É só covardia vestida de verdade Mas aqui, sigo firme no chão Estendendo a mão, sem julgamento na palma Não quero me representar em moldes de ilusão Meu feminismo é feito de compaixão Ser mulher é mais que grito e slogan É levantar quem já caiu mil vezes É entender que toda escolha importa Mesmo que não seja a que você fez É reconstruir entre os escombros Enquanto posam de heroínas na vitrine Ser mulher é carne, alma e silêncio Não é bandeira, é cicatriz que define E se um dia alguém me perguntar o que é lutar Vou dizer: É estar Com quem precisa, quando ninguém mais está É ser verdade no meio do barulho É ser colo onde só houve orgulho Ser mulher é mais que grito e slogan É ser raiz, mesmo longe das luzes É honrar cada uma que não pôde falar E seguir de pé, mesmo após tantas cruzes