Você que nasceu na roça, como eu tem na lembrança Saudade daquelas coisas, que vivemos na infância Do caminho para a roça, coberto pelo capim Das plantações de arroz, trigo, centeio e aipim Também do milho e feijão, lembranças que não tem fim Nosso café tinha broa, no forno a lenha era assada De trigo ou de centeio, bolacha doce ou salgada Banha de porco e torresmo, e um leitinho bem quente Depois ia para roça, com os cachorros a frente Cruzando cerca e pinguela, cantando e sorridente Comida que mamãe fazia, tinha coisas variadas Tinha feijão e quirera, abóbora e batata assada Polenta e frango caipira, sem dispensar um virado Tinha mogango cozido, canjica e algum pescado E a farofa de amendoim, no pilão velho socado Frutas de diversas tipos, por todo lugar se achava Araçá, uvaia e cereja, ariticum, jaboticaba Butiá, laranja e pêssego, melancia e pinhão A noite todos reunima, junto ao fogo de chão Assando milho na brasa, papai socando pilão No fogão velho de lenha, água para o chimarrão Também pra lavar os pés, todo sujo do poeirão No braseiro a cinza quente, onde eu me divertia Vendo estourar as pipocas, que depois eu repartia Recordações que ficaram, na mente desse caipira