[intro] Sirene corta a noite, mãe em oração Brasil sangra calado, sem explicação [verse 1] Bala perdida sempre acha um endereço Na favela o medo dorme dentro do berço Criança cresce cedo vendo morte na esquina Enquanto político mente na televisão e sorri pra câmera Mais um corpo no chão, ninguém se espanta Virou rotina, a dor já não adianta Sistema falha, justiça cega e lenta Preto pobre é alvo, isso o Estado não comenta Mãe chora baixo pra não chamar atenção Cemitério lotado, cadeia em expansão O futuro vira estatística no jornal E a vida vale menos que um capital [chorus] Brasil violento, coração em guerra Sangue na rua, lágrima na terra Entre o medo e a fé, o povo resiste Mas quem manda no jogo finge que não existe Brasil violento, grito sufocado Sirene é trilha do sonho roubado Enquanto a bala fala mais que a lei A pergunta ecoa: quem vai viver? quem vai morrer? [verse 2] Polícia sobe o morro com dedo no gatilho Desce sem resposta, sobe outro filho Olho por olho virou regra informal Mas vingança nunca trouxe paz real Arma circula fácil, escola não Livro é luxo, bala é opção O Estado ausente só aparece pra punir Depois pergunta por que o jovem quis fugir Entre o tráfico, o vício e a solidão A escolha é sobrevivência, não vocação Brasil refém da própria desigualdade Violência é sintoma, não é só maldade [outro] Enquanto a verdade não virar ação O Brasil segue preso nesse ciclo de violência e omissão