Ergui um castelo de marfim onde guardo o que restou Salas cheias de segredos que o silêncio não perdoou Nas janelas, fantasmas dançam quando o vento sopra frio E cada porta que eu abro revela um pedaço do meu vazio As paredes conhecem meu nome Mas já não sabem quem eu sou Nelas deixei minhas guerras E todo o amor que o tempo levou Caminho pelos corredores como quem busca redenção Mas o eco dos meus passos me entrega à escuridão No meu castelo de marfim Eu me perdi pra me encontrar Toda luz que vive em mim Aprendeu primeiro a sangrar Se a noite tenta me vencer Eu deixo o sonho me guiar Pois mesmo feito pra ruir Meu castelo não vai quebrar Guardo espelhos rachados que mostram versões de mim Rostos que fui esquecendo para sobreviver ao fim No salão principal há uma chama Branda, teimando em resistir É a lembrança do que eu amava É a promessa de não desistir E quando os ventos gritam forte E o mundo tenta me moldar Eu abraço meus destroços Pois neles aprendi a ficar No meu castelo de marfim Eu me perdi pra me encontrar Toda luz que vive em mim Aprendeu primeiro a sangrar Se a noite tenta me vencer Eu deixo o sonho me guiar Pois mesmo feito pra ruir Meu castelo não vai quebrar Deixo as portas abertas pro futuro entrar Mesmo com medo do que ele vai tocar Porque quando o caos gritar meu nome Meu castelo vai me lembrar Sou feito de queda Mas também de levantar No meu castelo de marfim Cada pedra sabe quem sou Se o mundo insiste em ruir Sou eu que decido aonde vou Se o escuro tenta me tomar Minha chama volta a brilhar Pois mesmo feito pra cair Meu castelo não vai quebrar