As páginas amarelam, o tempo vai cobrar As capas pretas, os estojos, o fogo vai levar O couro se desfaz, a tinta pode apagar Mas existe um lugar onde o tempo não pode tocar Não desqualifico o que o senhor escreveu Mas busco a essência que o mundo esqueceu A palavra não é o papel que se tem na mão É o fogo que arde dentro da imensidão Pois a palavra subirá com o salvo na luz Enquanto o material ao pó se reduz Não basta ler se o peito não se abrir Não basta saber se o amor não fluir Eu quero a tua lei cravada no meu peito Escrita nas paredes do meu coração Pois o livro físico não tem poder perfeito Se não houver em mim a transformação Se as palavras forem mortas, sem a prática do bem Eu coloco em risco a minha alma e a de alguém Escreve em mim, senhor, o teu destino Faz do meu viver o teu maior ensino Aquele que recebe o entendimento e a luz Mas guarda só pra si o que a ti conduz Enterra o talento, esconde a revelação Se torna um deserto em plena plantação A letra sem o espírito é ineficaz A prática é o fruto que traz a tua paz O entendimento clama por ser repartido Para que o perdido não seja esquecido O corpo deixará de ser A alma e o espírito vão se unir Para o salvo, a glória de te ver Para a palavra, o destino de subir! Não nas páginas, mas no peito Não no couro, mas no coração A tua palavra em mim Para sempre A tua palavra em mim