O fogo arde, mas não consome o galho A voz ecoa e o tempo se desfaz Diante do brilho que ultrapassa o entendimento O homem entende que tudo o que sabe, não é nada de mais Tira as sandálias, o comando é absoluto Pois onde Deus pisa, o chão se torna altar Não há espaço para o orgulho ou para o luto Apenas o silêncio de quem vai o encontrar Se em minhas mãos eu trouxesse o livro sagrado Se entre os dedos eu segurasse a revelação Ainda assim, ele seria depositado Aos meus pés, sobre o pó, em total submissão Pois Tua santidade muda tudo de lugar O objeto perde o brilho se o Sol se levantar Não venho com ofertas, nem troféus, nem rituais Diante da Tua glória, as coisas são iguais Eu venho de mãos vazias Eu venho de mãos vazias Pois o que buscas não é o que eu tenho Mas quem eu sou A capa de couro, as palavras no papel São o mapa da estrada, mas não são o céu A bíblia é o espírito servindo ao meu caminhar Mas ela não é digna de Te apresentar Não Te impressiono com o que posso carregar Fotografias, promessas, o que o fogo vai levar A única criação que Te faz parar e olhar É o espírito contrito que aprendeu a Te adorar Tudo o que existe foi feito pra me servir O ar, a luz, a terra, tudo está aqui Mas eu, eu fui feito para Ti Mãos vazias, coração cheio Mãos vazias, propósito inteiro A bíblia sobre as sandálias O espírito diante do Rei Nada material, nada visual Apenas eu e a Tua santidade Esse é o mundo perfeito Esse é o mundo real