Havia fartura, a mesa estava cheia Sobras de um povo que veio pra ceia Eu pedi um pedaço, me deram com pressa Mas vi que a caridade é o que mais interessa Olhei pro lado e vi o pudor De quem quer o doce, mas teme o julgador Entreguei o meu prato, voltei pra buscar É pra uma senhora que não pôde levantar Mas o olhar da obreira foi um muro de pedra Onde o amor escasseia e o juízo se integra Me acusou com o silêncio, me julgou pelo rosto Transformou o doce em amargo, imenso desgosto Ó, geração incrédula, até quando o ego? No templo do amor, o coração está cego! Se havia bolo pra todos, e sobra na mesa Por que negar o pão com tanta dureza? O julgamento é o espinho que fere a união Na casa do Pai faltou compaixão Mas a luz da justiça encontrou outro caminho Uma irmã intercedeu, não me deixou sozinho O bolo chegou a quem tinha o desejo Mas o meu espírito ainda sente o lampejo Se na casa do Senhor o amor é negado Onde é que o mundo será perdoado? Dê a quem te pede, o Mestre ensinou Dê também o manto, Ele ordenou O maior é o que serve, o menor é o rei Mas esquecemos a essência da lei! Até quando buscaremos a ira do céu Trocando a verdade por um véu de papel? Pelo amor de Deus, olhem pra Cruz Menos de nós, e mais de Jesus Na casa do Senhor Na casa do Senhor Onde o bolo era sobra, mas faltou o amor