Deixei a pergunta de lado um momento Não vim para julgar o comportamento Se as mãos estão sujas, se o copo esvaziou Eu sou o operário que o Mestre chamou Recolher o que sobra, limpar o que cai No rítimo manso que agrada ao Pai Vários convidados a olhar E eu vi no detalhe o que estava a faltar Peguei o papel, o guardanapo na mão Não era liturgia, era só prontidão Pois quem serve não busca o troféu O serviço é o idioma que se fala no céu É o mistério simples de um guardanapo Que limpa a poeira e o resto do prato É o suor invisível, a mão estendida A teologia que dá sentido a vida Enquanto o prestígio preenche o altar Eu encontro o meu Cristo na tarefa, não no jantar Servi o refrigerante, levei o descarte Fiz do cuidado a minha maior arte Só quando o último pôde cear É que achei um cantinho pra me sentar O prato estava frio, mas o peito aquecido Pelo prazer de não ser percebido Não precisei de crachá, nem de unção especial O amor é o único cargo real A igreja é o povo, o templo é o cuidado E o maior entre nós é o que serve ao lado Limpando a mesa Limpando o chão O céu se revela em nossa comunhão