Você já parou pra observar o equilibrista? O palco, o silêncio, o foco na vista O que prende o olhar? O que é admirável? Será o talento do homem, tão inabalável? Ou são os objetos, múltiplos, sobrepostos Peças soltas, distantes, em lugares opostos? Desconectados entre si, sem laço ou união Mas que pairam no ar em perfeita exatidão Eu não admiro a mão, nem o prato que gira Eu admiro o segredo que a cena inspira Existe uma Força por trás de tudo isso Que vence o ar e cumpre o compromisso Uma lei que conecta o que está separado Mantendo o caos totalmente ordenado É a Incógnita perfeita, o Elo, a santa coesão Que segura os mundos na palma da mão Não é densidade, não é só física pura É a cola divina que a tudo segura O Invisível que impede a água de entrar É o mesmo que impede o prato de quebrar Tudo subsiste, tudo se mantém Pela força oculta que emana de Alguém Meus pensamentos perturbam o meu ser Meus olhos cansados tentam descrever Eu sei o que sinto, eu sei o que vejo Mas falta um nome pra esse desejo Busco a resposta, a definição Pra essa Força que vence a contradição É o mistério que a mente não pode alcançar Mas que o espírito sabe apenas operar Não haverá mais perguntas, nem dia, nem noite Quando a verdade rasgar os céus como um açoite A busca termina, o véu se desfaz E a alma inquieta encontra a paz No momento em que o homem compreender E essa Força Invisível enfim perceber Não haverá mais ateus sobre a terra Acaba a dúvida, termina a guerra Não haverá mais busca, nem saber, nem lida Pois teremos achado a Fonte da Vida E finalmente, após tanto esperar O Santo Espírito irá repousar