Olhei pro lado e o sofá ainda tem a sua marca Mas a chave na porta já não gira do mesmo jeito A gente acumula instantes dentro de uma barca Tentando impedir que o tempo rache o peito Eu guardei os discos, mas deixei o som lá fora Pra ver se o silêncio aprende a me acompanhar É engraçado como a gente sabe a hora de ir embora Mas nunca aprende o jeito certo de ficar O que é sólido vira fumaça na manhã O que é eterno dura o tempo de um café Eu sigo equilibrando o ontem e o amanhã Tentando descobrir quem eu ainda sou, se é que sou alguém de fé Nesse intervalo entre o que fica e o que vai Eu sou o equilíbrio que balança e nunca cai Sou a moldura vazia, sou o rastro no chão Um resto de saudade e um pouco de imensidão O que ficou me define, o que foi me libertou Eu sou o que sobrou de tudo que a gente tentou Tem um bilhete na geladeira perdendo a cor Dizendo coisas que a gente não pratica mais A vida é esse moinho, esse motor Que tritura o agora e joga pro jamais Eu não sinto pressa, mas também não sinto medo De ver os dias passando como um trem veloz A gente só entende o tamanho do segredo Quando o nós vira eu e o grito vira voz (Crescendo com bateria marcante e guitarras abertas) Deixa ir o que pesa, deixa estar o que é leve A vida é um sopro, a vida é breve! Entre o apego e o desapego, eu escolho o caminho De quem sabe que nunca se caminha sozinho (Mesmo quando está só!) Nesse intervalo entre o que fica e o que vai Eu sou o equilíbrio que balança e nunca cai Sou a moldura vazia, sou o rastro no chão Um resto de saudade e um pouco de imensidão O que ficou me define, o que foi me libertou Eu sou o que sobrou de tudo que a gente tentou Entre o que fica E o que vai O que fica em mim É o que me faz ir