As palavras ficaram presas no corredor Entre a porta da sala e o medo de errar A gente disfarça e inventa qualquer cor Só pra não ter que ver o que o olho quer falar Tem um peso no ar que ninguém quer carregar Um roteiro escrito que a gente insiste em pular É o nó na garganta que vira decoração Nessa casa vazia que a gente chama de união O café da manhã é um jogo de olhares Onde o bom dia esconde o que a noite sofreu Cruzamos oceanos sem sair dos lugares E o nós foi morrendo no que o eu não entendeu Eu guardei as perguntas pra não ouvir as respostas Mas as verdades pesam quando estão nas nossas costas E o que a gente cala acaba virando muro Um labirinto imenso, um salto no escuro Não dá mais pra fingir que o silêncio é paz Quando o que não falamos dói cada vez mais Porque o que não foi dito ainda grita aqui dentro É um vendaval que não para um momento São as frases cortadas, o abraço esquecido O grito mudo de um amor que tá perdido Eu quero falar, eu preciso tirar do peito O que o silêncio guardou de um modo imperfeito Melhor uma briga que traga a verdade Do que esse vazio que chamam de maturidade Deixa o som sair, deixa o vidro quebrar Só o que é dito pode nos libertar Porque o que não foi dito ainda grita aqui dentro É um vendaval que não para um momento São as frases cortadas, o abraço esquecido O grito mudo de um amor que tá perdido Eu quero falar, eu preciso tirar do peito O que o silêncio guardou de um modo imperfeito O que não foi dito Ainda está lá Esperando o momento De a gente escutar