Nas fendas do mundo, a brasa ainda respira Soprando nomes que o tempo tentou calar O aço ressoa memórias antigas Chamando os caídos para seu lugar Sob o céu partido, marcho entre sombras eretas Cada ruína guardando um rei silencioso A cinza brilha, ouro morto, promessa incompleta Lembrando que o destino nunca foi piedoso E quando a noite curva os joelhos diante do fogo Escuto o martelo ditar seu julgamento Nenhum império vive sem enfrentar seu próprio rogo Nenhum herdeiro renasce sem romper o firmamento Da forja do caos, nasce o grito que nos move Um rugido forjado entre sangue e pó E mesmo que o mundo inteiro se proves contrário Erguemos a chama, pois ainda restamos nós Filhos das cinzas, erguidos da própria cicatriz Arrastamos o fardo de mil coroas quebradas Mas no eco das brasas, o impossível diz A queda é ponte para guerras consagradas Ecos da forja chamam meu nome como um mar em tormenta Martelos batem como corações em ira pura O último reino dorme sob promessa sangrenta Aguarda despertar na hora mais escura Pois se o céu fechar as portas ao nosso retorno A terra abrirá caminhos sob nossos pés A história não teme o peso de um novo trono Apenas aqueles que desistem de erguer-se outra vez Da forja do caos, ergue-se a chama que desafia A voz que cala o medo e recolhe o que restou Mesmo que o vento arraste a última vigília A brasa responde: Ainda não acabou E quando o vento erguer coroas de areia no vazio Lembrando os tronos que o tempo devorou O fogo tomará para si o que antes era frio E o que foi pó, enfim retornou Da forja do caos, rasgamos o véu da derrota A chama ascende, devorando a escuridão E de cada reino morto, surge nova rota Pois o fogo eterno nunca se desfaz Este é o grito eterno Da última forja!