Nas muralhas antigas, o vento canta O brasão jaz sob o pó e a lembrança Juramos reinar em glória Perdidos, só nos restou a história O ouro se foi, e com ele o orgulho Aos Reis restaram apenas entulhos Entre tronos quebrados e ecos de fé Buscamos sentido onde nada mais é Nos olhos do herói, o reflexo da dor Entre sangue e saudade, renasce o valor Coroas de areia nós erguemos Com mãos que tremem em vão O tempo devora os reinos Mas não apaga a canção! O campo de guerra, um espelho de dor Outro caminho que o orgulho forjou As lanças apontam, mas não há inimigo Só o reflexo do próprio castigo Lembras, irmão, das promessas que fizemos? Forjar um amanhã com o sangue que temos? Agora só resta o ferro frio E o silêncio do vazio Coroas de areia nós erguemos Na fúria de um vento brutal Sonhamos ser eternos Mas até estrelas viram poeira no final