A noite é uma criança, e eu sou um jovem sonhador Danço valsas bambas, a procura de um amor Solto na cidade, pelos becos, a buscar Uma semelhante alma pra me embriagar Não vim fazer amigos, eu não quero conversar Um trago do meu copo, dois minutos sem pensar Luzes me ofuscam, já não vejo quase nada A noite é uma criança, e eu sou seu velho camarada A noite é uma criança que não sabe ouvir um não É só quando se cai que se conhece bem o chão As luzes me ofuscam, já não vejo quem sou eu A noite é uma criança que ainda não nasceu Eu vou domar o tempo pelo chifre e prender ele no quarto até que seja meu amigo Deixar morrer o que precisa da morte Deixar viver o que precisa estar vivo Eu quero dizer pra mim mesmo Vê se aprende alguma coisa realmente importante Vê se sai dessa doença Vê se cura sua falta de gosto Larga essa mania e inventa algo que é seu Eu não preciso saber de que lado nasce o sol Em que fresta vaza o esgoto Em que canto dessa casa fica a caixa de gordura Eu não quero mas eu posso Eu não acho que é justo nadar de boca aberta no rio Tietê Eu vou pisar com muita raiva no futuro com sapatos limpos Ciente da fumaça que suspiram os escapamentos Quem sabe assim eu não me sinta mais um cachorro sem coleira, sem raça, preocupado e muito feio