Saudade, palavra doce Que traduz tanto amargor Saudade é como se fosse Espinho cheirando a flor Saudade, ventura ausente Um bem que longe se vê Uma dor que o peito sente Sem saber como e por quê Um desejo de estar perto De quem está longe de nós Um ai que não sei ao certo Se é um suspiro ou uma voz Um sorriso de tristeza Um soluço de alegria O suplício da incerteza Que uma esperança alivia Um longo olhar que se lança Numa carta ou numa flor Saudade, irmã da Esperança Saudade, filha do Amor A palavra é bem pequena Mas diz tanto de uma vez Por ela valeu a pena Inventar-se o Português Nessas três silabas há de Caber toda uma canção Bendita a dor da saudade Que faz bem ao coração Uma palavra tão breve Mas tão longa de sentir Que há tanta gente que a escreve Sem a saber traduzir Gosto amargo de infelizes Foi como a chamou Garrett Coração, calado dizes Num suspiro o que ela é Saudade, um suspiro, uma ânsia Uma vontade de ver A quem nos vê à distância Com os olhos do bem-querer A saudade é calculada Por algarismos também Distância multiplicada Pelo fator querer-Bem A alma gela-se de tédio Enchem-se os olhos de ardor Saudade, dor que é remédio Remédio que aumenta a dor