Eu vivo tonto, vivo zonzo, delirante Meu sossego está distante A incerteza mora em mim Por que não deixa de uma vez a indecisão Com a boca diz que não Com os olhos diz que sim Na boca fala só o dever, sempre exigente Mas nos olhos, eloquente O que fala é o coração Então por que me torturar, ai, tanto assim Com os olhos diz que sim Com a boca diz que não O meu amor foi bem depressa, foi voando E nos seus olhos pousando Fez um ninho cantador Mas o dever, ruim, feroz e carrancudo Destroçou e deixou mudo O ninho do nosso amor Não pode ser, não deve ser, não está direito Em amor não há preceito Não há dever, nem razão Guarde, querida, esta palavra na garganta E a palavra só encanta Quando vem do coração Eu vejo bem a luz azul que está bailando Dentro dos seus olhos quando Sua boca diz que não É a luz de amor que quer silêncio e quer coragem E só entende a linguagem Que nos fala ao coração