Quando no céu, de estrelas prateado Fito, extasiado, triste o meu olhar E penso em ti, morena do meu sonho Sinto, tristonho, um queixume a exalar Eu tenho, então, minh'alma invadida Por um ciúme atroz, a torturar Porque a fitar o céu, pergunto, ao negro manto Para que te amo tanto se só sabes desprezar Eu oiço, então, um cascatear daquela fonte Oiço o murmúrio do riacho sob a ponte E enquanto a fonte despeja as suas águas Em mim transporta o amor num caudal de mágoas Se algum dia tu chegares a amar Tragar o fel desta silente, triste dor Tu sentirás, como jamais sentiste A dor pungente, triste, do náufrago do amor Tu tens, mulher, um coração de gelo E o negror do teu lindo cabelo Fazem de ti conjunto encantador Pois que pareces toda feita para o amor Quando eu morrer, talvez tu chorarás Ouvindo alguém esta canção cantar Então direi a ti, mulher, que amei tanto Que sequer não valho o pranto que a dor vem mendigar