Dezembro chegou, mas a luz aqui sumiu O vazio na casa é o que restou, o silêncio que ficou Tem um par de botas perto da porta, mas o dono não vem mais Aquele cheiro de café forte, sumiu de vez Eu pego o telefone, chego a discar o número de cor Lembro que a chamada agora, só vai pro Senhor não atende mais Pai, a saudade é um nó que não desata É chuva caindo no telhado, é a vida que se maltrata A sua cadeira de balanço está aqui, ninguém senta nela não Porque o dono do abraço mais forte, virou estrela no sertão Eu não choro por perder, eu choro é por não te ter O meu herói de alma simples, o que a vida ensinou a viver Ontem eu fui lá no quintal, onde a gente plantava O chão tá rachado, parece que a terra também chorava Eu peguei aquela viola velha que o senhor gostava de tocar Mas o meu dedo não acha o acorde, o meu som não sabe te encontrar Toda história de vida agora tem um ponto final O meu porto seguro, virou o maior temporal Pai, a saudade é um nó que não desata É chuva caindo no telhado, é a vida que se maltrata A sua cadeira de balanço está aqui, ninguém senta nela não Porque o dono do abraço mais forte, virou estrela no sertão Eu não choro por perder, eu choro é por não te ter O meu herói de alma simples, o que a vida ensinou a viver O tempo me diz pra seguir, que é a lei natural Mas o coração insiste em voltar pra beira do seu varal A gente não tá preparado pra dizer adeus Mas o que o senhor deixou em mim, não é de Deus, é mais que Deus Pai, a saudade é um nó que não desata O dono do abraço mais forte, virou estrela no sertão Eu não choro por perder, eu choro é por não te ter O que a vida ensinou a viver