Aquele ano a seca foi tão grande Que até a terra rachou de chorar Eu tava no curral, só eu e a lanterna Quando vi uma luz que me fez parar Não era estrela-cadente, nem lampião aceso Era uma moça de vestido de linho branco Trazia nos olhos o brilho do mar de Minas E um cheiro de mato depois da chuva de janeiro Ela disse baixinho: Eu sou de lá de cima Vim ver a vida na terra, a beleza da sua rima Eu, caipira, sem saber se era sonho ou se era feitiço Só soube responder: Fica comigo, por isso O brilho da Lua me ensinou a amar Ela me deu o beijo que o Sol não pode dar O nosso amor não tem cerca, não tem porteira É uma saudade que brilha a noite inteira Deixou no meu peito a marca do luar Pra eu saber que o impossível pode morar no meu lugar Passamos um mês trocando segredos Ela me ensinou o nome de cada estrela no céu Mas em uma manhã fria, antes do orvalho secar Ela me olhou e disse: Chegou a hora de voltar Falou que o céu estava com saudade do brilho dela E que as nuvens são a casa que Deus fez pra ela Eu vi ela subindo devagar, quase sem pressa Virando uma poeira de prata, virando uma promessa Eu, caipira, sem saber se era sonho ou se era feitiço Só soube dizer: Espero por você, por isso O brilho da Lua me ensinou a amar Ela me deu o beijo que o Sol não pode dar O nosso amor não tem cerca, não tem porteira É uma saudade que brilha a noite inteira Deixou no meu peito a marca do luar Pra eu saber que o impossível pode morar no meu lugar Agora, toda noite de Luar no terreiro Eu tiro o chapéu e acendo um candeeiro Não choro porque sei que ela tá me olhando lá de cima Só peço pra ela mandar a chuva e a rima (Ah, Lua) O brilho da Lua me ensinou a amar Ela me deu o beijo que o Sol não pode dar O nosso amor não tem cerca, não tem porteira É uma saudade que brilha a noite inteira