Eu jurei que dessa vez eu ia ser adulta Coloquei cadeado em tudo que me machuca Organizei meus sonhos por prioridade Sem surpresas, eu falei pra mim na metade Troquei tempestade por café morno Fiz as pazes com o meu próprio outono Mas bastou um olhar atravessando a sala E lá vem você bagunçando a mala Eu tento explicar, fazer ele entender Que a gente já sofreu demais pra se perder Mas quanto mais eu peço pra ele ter juízo Mais alto ele grita, faz tudo o que eu não preciso Você já percebeu como o coração é rebelde? Eu mando ele ficar, ele foge e se excede Quando eu digo: Calma, ele corre pro perigo Quando eu digo: Não, ele vai contigo Eu penso que a vida já sossegou Que cada sentimento se acomodou Mas ele vem me cutucar de repente Só pra provar que ele manda na gente Eu tentei silêncio, tentei disciplina Prometi pra mim mesma: Agora termina Mas ele gosta de histórias inacabadas De portas entreabertas, luzes apagadas Ele não aceita viver no raso Quer mergulho alto, quer perder o prazo E eu aqui tentando ser razão Enquanto ele escreve outra revolução Talvez eu nunca aprenda a controlar Esse músculo teimoso querendo amar Talvez a paz não seja ausência de sentir Mas confiar no caos que insiste em existir Você já percebeu como o coração é rebelde? Não aceita ordem, não segue regra que a gente pede Quando eu acho que enfim me encontrei Ele muda o roteiro que eu mesma escrevi E se ele manda mesmo no final Talvez não seja tão irracional Porque toda vez que eu tentei fugir Era ele tentando me fazer viver, não só existir Você já percebeu como o coração é rebelde? Eu mando ele ficar, ele foge e se excede Quando eu digo: Calma, ele corre pro perigo Quando eu digo: Não, ele vai contigo