Abri meus olhos em um lugar tão estranho Isolado em uma ilha sem saber o seu tamanho Acuado em uma selva de informação Vendo um monte de primatas com smarts na mão Logo de cara reparei na coincidência Todos neste lugar tinham a mesma aparência A cara toda repuxada, quase sem expressão E dentes brancos que brilhavam mesmo na escuridão Pensei o que é que há de errado com esses mortais Imitando uns aos outros eram todos iguais Olhos vidrados cada um na sua tela Uma hipnose coletiva, mas que porra era aquela Era uma raça esquisita meio decerebrada Sua massa cinzenta não servia pra nada Todo conhecimento ali na palma da mão Mas o que lhe saciava era só distração Tinham tudo o que queriam sem sair do lugar Na hora me perguntei será que sabem caminhar Ninguém ali fazia força pra nada A preguiça era a regra que não podia ser quebrada Não havia nenhum servo, todo mundo era rei Cada um escrevia sua própria lei E eu fazendo as contas pensando comigo Como é que o mundo gira em torno de tanto umbigo Era uma raça esquisita meio decerebrada Sua massa cinzenta não servia pra nada Todo conhecimento ali na palma da mão Mas o que lhe saciava era só distração Foi quando eu percebi um surto de histeria Todos os telefones acusaram bateria O desespero tomou conta começou a debandada Eram primatas brigando atrás de uma tomada Parecia uma guerra, um ataque zumbi Comecei a orar Deus me tira daqui Minha prece foi forte e ele me escutou Acordei assustado quando o alarme tocou Com tudo isso na cabeça eu comecei a pensar Eu acho que conheço essa história de outro lugar Abri a porta, olhei pra rua, então me perguntei Será que ainda estou dormindo ou será que eu acordei Era uma raça esquisita meio decerebrada Sua massa cinzenta não servia pra nada Todo conhecimento ali na palma da mão Mas o que lhe saciava era só distração