Trago o vazio colado ao sapatos Um rasto de sonhos que nunca arranquei Marcas nos meus barcos que são relatos Das linhas da vida, por onde passei Se ao menos o tempo não soubesse o que fiz Se ao menos eu fosse mais do que quis Mas o medo deu de caras comigo, sem rosto E eu deixe-me consumir Foi o meu próprio fogo posto E se correr Que seja contra o vento Se cair Que seja um só momento Se te procurar Que seja para te perder Se te encontrar Fica sabendo que foi sem querer Carrego nas costas um peso sem nome Conversas que tive e que são imortais Na mesa de vida, serviram-me fome Serviram-me silêncio com palavras banais Se ao menos a noite soubesse escutar Se um pouco de ti me pudesse inventar Os meus olhos seriam eu Mesmo na cegueira poderia contemplar o céu E se correr Que seja contra o vento Se cair Que seja um só momento Se te procurar Que seja para te perder Se te encontrar Fica sabendo que foi sem querer Que foi Que foi sem querer