Uma nova manhã surge, cinzenta, molhada e triste Tua ausência ocupa cada pensamento, cada espaço Surpreso, noto que sem você, o mundo ainda existe O compasso da rotina é o rio Ganges dos meus pedaços Deprimido, oprimido, consumido em comprimidos A linguagem é insuficiente, nula e incapaz Mal arranham a superfície da dor, seu belo vestido Não expressam a tua falta, ou a minha falta de paz Não é necessário, mas levanto e apago a luz A penumbra me poupa das cores e detalhes “As coisas são suas formas. ” Ideia que me seduz Ainda que a luz do dia que virá as estraçalhe Não há ruído lá fora e os cachorros ainda dormem Sabem melhor que eu, que observo a maçaneta E ainda que os ponteiros do relógio me conformem Sei que tuas marcas aos poucos se apagam no planeta A cadeira vazia Os passos negados A risada não dada A cadeira vazia Passos apagados O nada A cadeira vazia Os passos não dados A risada negada A cadeira vazia Passos errados Sem nada