O amargor me atinge como um bólido Eu até antevi, mas quis duvidar Avança sobre tudo o que é sólido O pálido mundo, desmancha no ar No fundo do copo da bebida mais forte No ângulo que só a dor pode criar Vejo o quão profundo é o corte Quanto de morte posso aguentar Ao meu redor os rostos são os meus iguais São ilhas, filhas, filhos, mães e pais, sem paz No espelho sujo sorrio e agonizo Longo minuto que o tempo matou No reflexo turvo me desumanizo Inciso e preciso: Não sei quem sou! Cambaleante navego entre as mesas Levo nos bolsos tudo o que não foi dito Esa é a noite da morte das certezas Presas e esquartejadas sem um grito Ao meu redor os rostos são como o meu: Iguais São ilhas, filhas, filhos, mães e pais, sem paz