Acordei cedo, Sol batendo na laje quente Sem saldo na conta, mas sorriso permanente Busão lotado, fone velho no ouvido O grave batendo forte, coração no improviso Na mochila só coragem e um sonho dobrado Pão com manteiga e um café compartilhado No Setor, na quebrada, geral já se ajeita Rindo alto da vida, mesmo quando ela aperta Bolso vazio, mas o peito cheio Se a grana não vem, a gente cria o recreio Bate a palma, chama o bonde inteiro Hoje a rua vira nosso dinheiro Tô curtindo a vida sem um centavo Rindo alto no meio do caos brabo Se o bolso tá seco, o coração tá bravo Curtindo a vida sem um centavo Curtindo a vida sem um centavo Mas ninguém aqui vive travado Se não tem luxo, tem som pesado Curtindo a vida sem um centavo Tênis gasto mas o passo tá firme Sonho grande, visão que não se reprime No skate velho descendo a W3 Vento na cara, liberdade em HD Amigo divide o último gole História de guerra virando role A cidade gigante, mas nós faz caber Num beat simples só pra sobreviver Se a sorte demora, nós faz barulho Da Ceilândia ao Plano o bonde é orgulho Sem ouro no pulso, sem carro blindado Mas a vibe que bate não compra no mercado Tô curtindo a vida sem um centavo Rindo alto no meio do caos brabo Se o bolso tá seco, o coração tá bravo Curtindo a vida sem um centavo Curtindo a vida sem um centavo Mas ninguém aqui vive travado Se não tem luxo, tem som pesado Curtindo a vida sem um centavo Às vezes a noite pesa no peito Conta chegando e sonho imperfeito Mas quando o beat bate no chão da praça A tristeza dança e perde a graça Se amanhã melhora ninguém sabe Mas hoje a gente vive de verdade Tô curtindo a vida sem um centavo Sem corrente, sem carro importado Mas tem risada ecoando no asfalto Curtindo a vida sem um centavo Curtindo a vida sem um centavo Se a vida aperta, nós dança no asfalto Sem luxo nenhum, mas rico de abraço Curtindo a vida sem um centavo Curtindo a vida sem um centavo E mesmo sem nada, nós tem tudo no palco Se o mundo pesa, nós canta mais alto Curtindo a vida sem um centavo