Atenção Se a verdade te incomoda Essa faixa não é pra você Minha rima vem cortando igual bisturi Abre o peito do sistema e mostra o que tem ali Cheiro de mentira, sangue velho, sujeira É isso que chamam de ordem na bandeira Eu não vim ser simpático, vim ser necessário Sou a estatística que escapou do obituário Favela não nasce criminosa, nasce cercada E quem aponta o dedo nunca pisou nessa estrada O topo fala de mérito, eu falo de fome Fala de mérito com sobrenome Quero ver nascer grande quando o berço é um buraco Quero ver gritar igualdade morando no alto Isso é extremo rap, sem dó, sem moldura É soco de verdade contra muralha de censura Se o sistema treme, é porque a rima tá madura Eu não cuspo ódio Eu devolvo a estrutura Asfalto quente, noite funda, dor pulsante O pobre corre, o rico dorme com segurança gigante A mídia filtra tudo pra manter o mito De que quem morre na quebrada já nasceu conflito E o Estado? Estado é só a sombra do que não faz Prega paz com mão suja e sorriso inglês Mas o povo sabe, sempre soube Que quem promete futuro não vive o hoje Eu não escrevo rima, escrevo denúncia Sou a garganta que nunca pediu indulgência Se a elite se irrita, eu dobro a força Porque o barulho da rua nunca teve escolta Isso é extremo rap, sem dó, sem moldura É soco de verdade contra muralha de censura Se o sistema treme, é porque a rima tá madura Eu não cuspo ódio Eu devolvo a estrutura Eles pedem calma, calma pra quem? Pra quem sente o país esmagando também? Se a revolta nasce, é porque alguém pariu a dor E quem lucra com ela sempre tem mais cor Extremo não é gritar É falar o que ninguém quer encarar Que enquanto um sobe sem olhar pra trás Mil caem tentando sobreviver ao país capaz De amar o lucro e enterrar o pobre