Nasci em berço de ouro, entre sedas e brasões Fernando de Bulhões, herdeiro de ambições Banquetes e privilégios, a glória de uma nação Mas uma voz misteriosa gritava em meu coração Olhei pela janela do meu castelo real E vi a fome e a peste, o cenário do mal A miséria nas ruas, a doença e a dor Enquanto a corte ria, sem nenhum pudor A cruz de Francisco brilhou no meu olhar Rasguei as minhas vestes, mudei o meu lugar! Não sou mais Fernando! Meu nome é Antônio! Vim livrar o povo do triste abandono! Troquei a riqueza pelo pão dividido A minha cultura é a voz do oprimido! (Pobreza e Castidade!) A minha revolução é a caridade! Desci do altar pra enfrentar o tirano Apontei o dedo pro governo profano Ezzelino tremia ao ouvir minha voz Pois a verdade de Cristo é feroz! Não poupei a Igreja, nem o bispo, nem o rei Se exploram o povo, eu condenarei! Onde está o teu tesouro, ali está teu coração! Vocês roubam do pobre pra pagar a mansão! O meu latim não é pra impressionar É pra fazer a estrutura do mal desabar! Não sou mais Fernando! Meu nome é Antônio! Vim livrar o povo do triste abandono! Troquei a riqueza pelo pão dividido A minha cultura é a voz do oprimido! (Pobreza e Castidade!) A minha revolução é a caridade! Santo dos pobres Martelo dos hereges Antônio de Deus (A voz venceu)