Para quem olha esta estampa galponeira Já reconhece que sou gaúcho pampeano De peito aberto, temperado de minuanos Um peão campeiro, com firmeza no tutano Pelas mangueiras, não fraquejo à força bruta Pelas coxilhas a energia de um zebu Se sou a causa dos suspiros das morenas Não me atuzina ser chamado de xiru Este meu canto tem a estampa do Rio Grande E meu Rio Grande já tem a cara de mim Por esses campos, sempre tenho um bom cavalo E um 'reiador' que se arrasta pelo capim Manhã cedito faço longas campereadas E das estradas faço a extensão do meu rancho Fim de semana, bem pilchado, encilho o pingo O povo sabe que sou louco por farrancho Já na chegada, se uma gaita me convida Abro meu peito, perseguindo uma vaneira E o povaréu já bate palmas, comentando Mas que buenacho “este” guasca da fronteira Domingo cedo, quando volto para o rancho Solto meu pingo e vou cevar o chimarrão Abro a janela, pra que o Sol faça visita Meu cusco amigo, latindo, pede atenção Então percebo que meu xucro pensamento Voltou ao baile, pra se encontrar com a morena O tempo passa e só então me dou por conta Que o encanto é grande e esta vida é tão pequena