Na alta madrugada, alguém assobiou No meio da estrada, onde o breu se faz morada A poeira rodopiou sem ventar, meu camarada E a escuridão explodiu em gargalhada Sob o clarão da lua que a noite acentua A capa negra do mistério na encruza se insinua Que a força de sua mão toda demanda destrua Oh, dono da encruzilhada, Laroyê, Seu Tranca-Rua! No chão de terra onde toda a ilusão desabou Pra quem, na soberba, dos próprios sonhos zombou Quando o orgulho caiu e a força enfim acabou Erga o teu ferro e nos valha, Senhor Marabô! Mantendo viva a esperança que no peito nos sustenta Nos dias de frio e sombra, quando o mundo se ausenta Pois sua força é brasa viva que o caminho pavimenta Salve Seu Tiriri! Só mexe com fogo quem aguenta Ventou, ó que ventania! Quanto mais o vento batia, mais ele ria! Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia! Ventou, ó que ventania Quanto mais o vento batia, mais ele ria Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia Na potência inata de ser tudo o que se é Atende firme ao chamado de quem carrega fé Podem chamá-lo do nome que o mundo quiser Malandro, Pretinho, Pilintra, a força de Seu Zé! Cada alma nesse mundo constrói o seu caminho Desde o mestre soberano ao aprendiz pequenininho Saiba bem, em sua trilha, nunca se está sozinho Exu Mirim guarda teus passos e observa de mansinho Pois o tempo em espiral guarda o saber ancestral Onde ninguém escapa das consequências no final O que se espera colher quando se semeia o mal? Saravá Seu Sete! A justiça brilha na ponta do seu punhal Quando se procura um homem, encontra-se apenas bananeira Pois quando o corte é feito, revela-se a vida passageira Salve sua força sagrada, Senhor Caveira! Pois o que a terra consome, saiba, não é brincadeira Ventou, ó que ventania Quanto mais o vento batia, mais ele ria Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia Ventou, ó que ventania Quanto mais o vento batia, mais ele ria Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia São tantas as veredas que o destino nos segreda No passo firme e calmo sobre o rubor da labareda Salve a energia oculta que todo o mal desenreda Salve a força de todos! Que a luz da encruza nos conceda Ventou, ó que ventania Quanto mais o vento batia, mais ele ria Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia Chuva grossa não me molha Sereno quer me molhar, ô ganga Exu Ventou, ó que ventania Quanto mais o vento batia, mais ele ria Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia Rodeia, rodeia, rodeia Meu Santo Antônio, rodeia Rodeia, rodeia, rodeia Meu Santo Antônio, rodeia Rodeia, rodeia, rodeia Meu Santo Antônio, rodeia Ventou, ó que ventania Quanto mais o vento batia, mais ele ria Na força da noite, na luz do dia Laroyê, o seu vigor é quem nos guia Exu bebeu, Exu saravou Exu vai embora que sua banda lhe chamou