Deixei para trás o que exigia força E fiquei com o que exige verdade Hoje reconheço o limite Entre desejo e necessidade O que não sou deixou de insistir O que ficou aprendeu a esperar Há silêncio suficiente em mim Para algo inteiro poder entrar Não carrego pressa no olhar Nem carência para oferecer Quando estou inteiro em mim O mundo precisa entender Estou disponível ao que é claro Sem esforço, sem intenção O que caminha na mesma frequência Encontra-me por ressonância, não por condição Não projeto, não antecipo Sustento o agora com precisão Quando o alinhamento é interno O encontro deixa de ser exceção Desaprendi os gestos antigos Que confundiam apego com raiz Hoje escolho presença contínua Não o impacto que se desfaz num momento infeliz Há espaço no meu mundo Para dois ritmos coexistirem Sem invasão, sem desaparecimento Sem que um precise diminuir para o outro sobressair O meu corpo reconhece coerência Antes mesmo da razão falar Não é promessa que me chama É repouso onde posso ficar Estou disponível ao que é claro Sem esforço, sem intenção O que caminha na mesma frequência Encontra-me por ressonância, não por condição Não projeto, não antecipo Sustento o agora com precisão Quando o alinhamento é interno O encontro deixa de ser exceção Eu permito o que me reconhece Sem negociar o que sou O que chega não pede prova Sabe exatamente onde entrou Estou aqui, em estado de encontro Sem expectativa, sem defesa O que me encontra por inteiro Chega sem ruído, fica com leveza E quando o silêncio se organiza Entre um acorde e outro, enfim Não é procura que se encerra É algo que começa em mim