Longe da cidade grande Alheio ao mundo agitado Vive bem aquerenciado O gaúcho provinciano Seja campeiro ou urbano É sempre um conservador Seu verso guarda o sabor Das coisas do cotidiano Estende a mão, cumprimenta Também retira o chapéu Sabe quando muda o tempo Bombeando as nuvens no céu Lá pras bandas da fronteira Se parece um João Barreiro Zeloso, cuida do pago Com cisma de peão caseiro As razões de cantar triste Vêm de muito tempo atrás Rude devoção que existe Pelo campo e pela paz Que misteriosa tendência Sina, feitiço ou desejo Faz clamar seu lugarejo No entardecer da existência Provinciano, pêlo duro, te juro Sei do teu amor sem fim Por esta querência amada E pela vida sossegada Porque eu também sou assim Estendo a mão, cumprimento! Estendo a mão, cumprimento!