No galpão velho o povaredo se achegou Um fala alto, agora escuta, o que já falou O mate quente rodando de mão em mão Canha na guampa, no jeito antigo da tradição É tanta prosa, muito assunto pra falar Que no entrevero, pouco há de se explicar Riso, grito, cantoria e declamação Chiar de chaleira, movimento e animação A gaita, voz trocada, segue choramingando num canto do galpão Se desmancha numa marca que toca fundo o coração Se cantam histórias, de peleias e namoro de bochincho Em seguidita, o declamador arrebanha todo sentimento no capricho Mesmo com briga e discussão Ninguém guarda mágoa no coração É tudo feito na brincadeira Pra unir a indiada a noite inteira No fim da tertúlia, fica a lição Bochincho também é momento de união Entre amigos, risos e cultivo a tradição Se constrói a força do culto e reverência ao que um dia se viveu no nosso chão