Caminha pela orla sem praia Variando no estilo Chinelo shortinho ou saia Por mim tá sempre tranqüilo Uma princesa Nascida na baixada No meio de tantos plebeus Foi coroada A mais bela E o mundo gira no tempo do compasso dela E o mundo para pra olhar Na calçada e na janela É ela Que quebra a rotina Passando pelas ruas escuras O meu olhar ilumina Eu vi passando pela rua da matriz, acompanhei Vi que ia subir o morro, ai eu pirei Era ela, a nossa mais sincera verdade Escrita com 10 letras, misteriosa felicidade Eu vi, no sorriso da tia preta Na criança brincando, longe das tretas No casal de namorados Assim apaixonados Em quem tem um simples sonho realizado Eu vi, no multirão de quem constrói a própria habitação Sem esperar de ninguém arruma sua solução Correndo na frente porque atrás já não dá mais Em quem vive na guerra buscando sempre a paz Eu vi, no gol que nosso time marcou E toda capitão salustiano comemorou Eu vi, e tem coisas que só a gente consegue ver E quem não é daqui não consegue entender E todo mundo que olha de fora não vai entender Nosso estilo de viver De dançar e sofrer E todo mundo que não é cria não vai entender O porque da gente sorrir De apanhar e insistir Chico quando esteve aqui ficou bolado Disse que tinha inveja da gente, ai é complicado Sem romantismo A vida do pobre é dificil Miséria vira fetiche de rico Que lê no livro Não é só sorriso Não é só felicidade É viver distante No lado b dessa cidade Vida de bamba Pedurado nas contas e no trem No dia a dia o problema sempre vem Problema e solução No dia a dia trazem força e inspiração Pra soltar a voz em cima da batida Criar uma nova realidade Melhorar a nossa vida Pra quem faz samba Pra quem faz a rima São alternativas Pra manter a auto-estima ativa Quem canta e dança, a qualquer hora, em qualquer canto. Encontra no balanço uma forma de vencer o pranto. É dificil eu sigo tentando entender. Mais que um estilo de vida. É uma forma de sobreviver. A felicidade é nossa. Mas nunca vem sozinha. A dura realidade continua aqui: nossa vizinha. Só loucura, vida de periferia. Ainda bem que existe o balanço, nosso som. Funk, rap, o samba. Que nos alivia. E todo mundo que olha de fora não vai entender. Nosso estilo de viver. De dançar e sofrer. E todo mundo que não é cria não vai entender. O porque de sorrir. Apanhar e insistir.