Trancaram meu riso cerraram meus olhos Roubaram da boca o direito de ser No fio da lâmina no peso do aço Tentaram calar o prazer de viver Diziam: É ordem, é cultura, é costume É pelo bem de quem nem perguntou Mas eu, com meu sangue, com minha fome Cantei mais forte que a dor que ficou O corpo é meu, não é de ninguém Nem do pai, nem do santo, nem do capitão Não se vende, não se doma, não se corta também O corpo é inteiro, é alma e é chão Rasgavam meu nome nas páginas velhas E em nome de Deus me mandavam calar Mas a minha memória é forjada em centelhas E o fogo da história não vai se apagar Não há tradição que amanse a verdade Nem há ferro quente que possa deter a mulher Que sabe que ser liberdade é nascer de novo a cada amanhecer O corpo é meu, não é de ninguém Nem do pai, nem do santo, nem do capitão Não se vende, não se doma, não se corta também O corpo é inteiro, é alma e é chão O corpo é meu é meu é meu