Eu acordei cedo, ainda cansado, café sem açúcar de segunda-feira A minha esperança batendo na porta, a conta de luz já tá na geladeira Com sono, eu como o meu pão dormido, que já é meu hóspede há uns cinco dias No busão lotado, lembro do passado, de oportunidades que já foram minhas Com o rosto colado na janela embaçada, repasso meus versos com a mente cansada Enquanto outros vendem fama na vitrine, eu trago verdades rimadas na esquina Seu locutor, na humilde te peço um grande favor: Toca meu som aí Tu sabe que não tá fácil para ninguém, cê já pagou seus boletos Eu tenho um monte pra pagar também Essa letra é meu corre, este beat é meu porém Já deixei currículos com esperança, já entreguei arte em troca da janta Na quebrada sou voz, no sistema sou ruído, mas no fone de quem sonha, meu hit vira abrigo Me disseram que rima não enche barriga, mas me alimenta quando o mundo castiga E se o algoritmo me esconder de novo, eu reapareço na alma do povo Se a rádio tocar, mesmo se não viralizar Na quebrada alguém vai sorrir, esse cara sou eu, e o sonho vai seguir Seu locutor, na humilde te peço um grande favor: Toca meu som aí Tu sabe que não tá fácil para ninguém, cê já pagou seus boletos Deixa eu pagar os meus também, deixa o mundo me ouvir também Pode ser no arame ou no FM No fone de ouvido ou anúncio do trem