Quem muito amou Tem saudade Machucando o coração Quem deixa a terra Natal Com, ou sem explicação Traz na memória, lembranças Alimentando, a esperança De rever, o seu torrão O Polonês Rebendoleng Ancestral de minha gente Era um jovem soldado Honesto e muito temente Foi pra guerra em defesa De seu povo, sua gente Mas acabou desertor Para não ser conivente Com a indecência da guerra De seu rei, homem imprudente Deixando Napoleão Fugiu e ganhou o mar Deixando o velho mundo No Brasil, vêio aportar Enfrentando as agrúras Naufrágio, fome e perigos Quase que foi devorado Nas mãos do, povo nativo Mas sendo homem de fé E de grande devoção Sentindo o peso da espada Ferindo seu coração Rezou contrito E assim, Deus ouviu sua oração O livrou da triste sina E o mandou, para o sertão Foi lá nas Minas Gerais Que encontrou linda menina Que floriu o seu caminho E, mudou a sua sina Ele então se apaixonou E entregou-se ao amor Se casando, com Umbelina Desbravando os Gerais Deixou o sertão mineiro E se mudou para Goiás Onde se fez pioneiro Conheceu o imperador Dom Pedro rei do Brasil De quem se tornou amigo E a quem muito serviu Dele foi que recebeu Um presente inusitado Que sua vida mudaria Pelos serviços prestados Do imperador recebeu Na Chapada em Goiás Uma enorme sesmaria Se firmou nesse lugar E, se fez homem importante Marcando aquele sertão Com o seu jeito brilhante Doze filhos ele teve Uma grande descendência Pra consolar, a saudade Que doía sem clemência Não podendo ele voltar Ao chão, que um dia deixou O polaco chão Natal Que ele, tanto amou Decidiu reinventar O seu pedaço de chão Criou a sua Polônia No coração do sertão Foi na fazenda Polônia Onde se estabeleceu Vivendo intensamente Os anos que Deus lhe deu Ali, sempre rodeado De amor e de carinho Enterrou de vez a espada E jamais se sentiu sozinho Ali cumpriu seu destino E, voltou ao, pó do chão Nasceu e morreu polonês Com toda convicção Marcou a bela e famosa Chapada dos veadeiros Com seu sangue e sua gente Os polacos sertanejos Nasceu na velha Europa Na Polônia, sua nação Morreu também na Polônia No coração do sertão