Se minha voz é capaz de tecer catedrais, de dominar e falar as línguas angélicas Mas se não tenho teu amor, sou ruína de bronze retinente Profecias que fendem véus de mistérios abissais Fé que arrasta altiplanos pro mar Mas que sem ti, nada mais é do que cinzas volantes açoitadas ao vento Tu, sapiência que esculpe séculos, em granito terno Bondade que trespassa armaduras de espinhos secos Força tremenda que desejar o eterno amor, amor, Amor Amor é rio que entalha cânions no peso do tempo Não inveja o sol que se afoga em horizonte de sal Não se irrita em tronos de orgulho frágeis como geada É asa que dobra galáxias, farol que trespassa e supera jornadas Amor, expressão do sagrado divino, imortal, sustentando minha alma Se eu doasse meu sangue aos famintos, e entregasse o corpo ao holocausto Sem teu abraço: Tudo isso são nada, são pétalas mortas no vento austéro Pois o amor não maltrata a asa ferida, não guarda rancor como um túmulo Alegra-se na verdade nua que é, raiz que fende o mármore duro, e rasga o céu, o abrindo ao mundo Não procura seu norte em mapas de egoísmo cego Suporta o peso das eras, crê onde o mundo duvida Se renova renovando tudo ao fazer o divino verbo Amor é rio que entalha cânions no peso do tempo Não inveja o sol que se afoga em horizonte de sal Não se irrita em tronos de orgulho frágeis como geada É asa que dobra galáxias, farol que trespassa e supera jornadas Amor, expressão do sagrado divino, imortal, sustentando minha alma Minha mente via em espelhos de âmbar envelhecido Sílabas de uma velha infância, pedaços de sonhos em arco-íris partidos Quando o Perfeito irrompe como aurora em abismo sombrio O parcial se desfaz e me elevas fazendo me conhecer, como sou conhecido Saiba que a fé é âncora no tempestivo, esperança é vela ao vento Mas o amor é o oceano onde galáxias se banham serenas Face a face, sem véus nem enigmas de sombra e luz Tu, amor, és o primeiro, o último, o eterno diapasão das divinas cenas O amor é rio que entalha cânions no peso do tempo Não inveja o sol que se afoga em horizonte de sal Não se irrita em tronos de orgulho frágeis como geada É asa que dobra galáxias, farol que trespassa e supera jornadas Amor, expressão do sagrado divino, imortal, sustentando minha alma O amor é o rio que entalha cânions no peso do tempo Não inveja o sol, não se orgulha instalando-se em tronos de cristal frágil Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta incansável Pois o amor nunca se acaba, é o maior, o eterno, o Inabalável! Amor! Tudo suporta, face a face, amor que não acaba Face poética do divino eu a se revelar a mim e a você, amor!