Recalcados e odiosos Ressentidos e medrosos Melindrados e maldosos Nem republicanos Nem democratas Nem civilizados Nem cordiais Somos o eco das dores De séculos e séculos de ais e da mais cruel das formas de exploração E ainda assim, somos nós a nossa própria voz, e os legítimos donos, da nossa nação Somos filhos da tortura Frutos espúrios, de roubos e estupros Desde os longínquos miliquinhentos Somos cruéis e misóginos Homofóbicos Negrofóbicos Econofóbicos Polifóbicos Nesses séculos de dores e de sofrimentos! Somos o melhor que deu pra ser nessa balbúrdia De tantos tiranos e torturadores! De generais-canibais com, ou sem patentes Coronéis sem grei, sem limites Foras-da-lei Oprimidos sem consciência Ansiando ser o opressor Deus Pátria Família Palavras lindas, cheias-vazias! Servem a tudo E atingem a todos Enquanto nós que estranhamos nosso rosto, tosco Feio e leproso, sumariamente assim exposto! Nos dividimos a nos digladiarmos, entre os que aceitamos Que assim sejamos e, os que negamos, querendo ser outro Mais é isso que somos Sem mais enganos! Por entre coxinhas e mortadelas Do pau-de-arara, à toga suja! Do painel violado, ao petrolão Das odebrechts, ás Petrobrás A história mostra, com fartos fatos Eis o que somos Recalcados e odiosos Ressentidos e medrosos Melindrados e maldosos Nem republicanos Nem democratas Nem civilizados Nem cordiais Somos o eco das dores De séculos e séculos de ais e da mais cruel das formas de exploração E ainda assim, somos nós a nossa própria voz, e os legítimos donos, da nossa nação Recalcados e odiosos Ressentidos e medrosos Melindrados e maldosos Nem republicanos Nem democratas Nem civilizados Nem cordiais Somos o eco das dores De séculos e séculos de ais e da mais cruel das formas de exploração E ainda assim, somos nós a nossa própria voz, e os legítimos donos, da nossa nação