Armaram o palco com luzes de festa Dizendo que a sobra seria ao que resta Mas a conta do vinho quem paga é o chão Do bolso furado do meio da multidão Há uma bondade que custa o futuro Um passo em falso num quarto escuro Prometem o céu com a tinta da caneta Enquanto a inflação nos cobra a meta A mão que afaga é a mesma que tira No jogo de espelhos, na dança da mentira Dizem que é para o bem, pelo social Mas o peso do estado é o novo vendaval O leão não dorme, ele quer sua parte Fazer do nosso suor a sua arte É a farra do gasto em nome do povo O velho discurso vestindo o novo Tiram o pão pra dar a migalha No reino onde o imposto é quem mais trabalha A máquina incha, o motor engasga É a nossa bandeira que a dívida rasga Vendendo ilusões em suaves prestações Enquanto hipotecam as novas gerações Falam de números, criam cenários Maquiam a crise nos seus dicionários Mas na prateleira a verdade não cala O dinheiro encolhe, a esperança se abala É fácil ser nobre com o cofre alheio Gastando sem freio, sem medo ou receio Viagens, cortejos, tapetes vermelhos Enquanto nós somos apenas espelhos É a farra do gasto em nome do povo O velho discurso vestindo o novo Tiram o pão pra dar a migalha No reino onde o imposto é quem mais trabalha A máquina incha, o motor engasga É a nossa bandeira que a dívida rasga Vendendo ilusões em suaves prestações Enquanto hipotecam as novas gerações Não existe mágica, nem almoço de graça Alguém sempre chora quando o circo passa O Estado não gera, ele apenas transfere E nessa ciranda, é a gente que se fere Sufocam o sonho de quem quer empreender Para sustentar o poder pelo poder A festa acaba quando a luz acende E a realidade a gente compreende Que o pai que protege, cobrando o favor É o mesmo que causa a nossa própria dor