O tempo, estampado na parede, gira Me lembrando, e esquecendo, o quanto já fluíra Eu olho pra trás, vislumbro meu ostracismo Contrastando hoje, com meu ato de egoísmo Não sou anjo, nem vilão, só um resto de mim Perdido num tempo que nunca teve fim Vivo de maldições, vivo de súplicas Revivendo privado, o que era pública Rolo nesse vórtice, num devaneio insano Oscilando entre a fé, a dúvida, o desengano Ora acho que voltas, ora sei que te perdi E o tempo me desperta, e nada eu aprendi Pois no perpétuo ideal que me devora Existem duas vozes gritando agora Residem juntamente no meu peito Um demônio que ruge e um Deus que chora O demônio quer o corpo, a posse, a loucura O Deus chora a falta que faz, tua ternura E eu, no meio desta guerra, pobre humano Só quero você, para mitigar este dano Fui capaz de horrores, e de ações sublimes Mas nunca me lavei desses meus crimes Meu crime de amar mais do que se deve Onde a memória pesa, sem uma lembrança leve A ferida não fecha, ela apenas arde E eu grito teu nome, mesmo sendo tarde Dizem que o tempo cura, que o tempo avança Mas mata a esperança e deixa as lembranças Não sou bom nem mau, sou só saudade Preso na mentira da minha verdade Pois no perpétuo ideal que me devora Existem duas vozes gritando agora Residem juntamente no meu peito Um demônio que ruge e um Deus que chora O demônio quer o corpo, a posse, a loucura O Deus chora a falta que faz, tua ternura E eu, no meio desta guerra, pobre humano Só quero você, para mitigar este dano Não sou bom, nem sou mau, sou triste e humano Esperando você do outro lado do oceano