Os castelos de areia que eu levantei Puta que pariu, olha onde eu cheguei O que eu mais temia foi o que eu vivi Meu Deus leva outro, teu Jó não tá aqui Assim vou seguindo Quebro a cara e tô rindo Inteligente? Quase nada Falta disciplina, eu sei Vai vendo essa estrada Coração fora da lei Mas se o preço de ser é sofrer Eu pago mil vezes, pode escrever Uma vez só não dá, não segura Não é eterno retorno, é que uma vez é nula Eu preciso do todo, não só da amostra Se for pra viver, que transborde a encosta Então deixa eu me perder num abraço apertado Na pureza dos bichos, no toque sagrado Nos amigos que eu tive, nos que deixei ir Nos amores que nunca cheguei a sentir Na dor que é minha e que ninguém viu Essa que é a cicatriz e que nunca sumiu Eu vi o luxo e a miséria Mas nada que fosse matéria sincera Amei, fui ridículo Tive ódio, chorei no escuro Fiz as merdas, fiz loucura Da criação ao fundo do poço Tá ligado no que eu digo Esse aí é meu currículo Então deixa eu me perder num abraço apertado Na pureza dos bichos, no toque sagrado Nos amigos que eu tive, nos que deixei ir Nos amores que nunca cheguei a sentir Na dor que é minha e que ninguém viu Essa que é a cicatriz e que nunca sumiu Devia tá bem, me sentir abençoado Mas sou tentado a todo lado Vendo a alma pro meu diabo Querendo amor, respeito e salário Eu sou o meu próprio fausto e falho Não sei viver reto, só sei viver raro Não é o que cê faz, é o que tu é Sou um pecador, mas ainda com fé Você pode até me achar um mané Mas quem é que julga? Quem é esse pajé? Às vezes eu ecoo o mano Camões O dia em que eu nasci, morra e pereça É isso que eu canto, com calma e firmeza Não rimo pra fama, rimo pra clareza E assim eu me calo A vida levou meu castelo Areia voando no vento Perdido num breu Onde nem fé acende estrela Nada mais eu digo Esse é meu papo