Desliga essa porra, ô filho da puta Se bem que às vezes eu acordo E simplesmente não me recordo Do que eu tenho passado Mas sei que tem sido no passado Lembro-me que foi naquela madrugada Que a minha vista já ficava pesada E veio pra mim aquele passado Algo que eu não havia lembrado Tanto tormento que eu havia passado E repassado na minha cabeça Justamente o que me trouxe frieza E o que tirou a beleza do viver E o que me fez crer que a vida é sofrer E que foi à toa, tudo em vão E eu ainda não vejo nenhum vão Ainda não vejo nenhuma salvação Só vejo cadáveres em toda parte Só vejo esperança quando faço arte Só vejo discurso e pouco debate Por isso insisto que você me mate Ou talvez, que minha mensagem acate Mas sei que não importa qual for o alarde Que nós nunca seremos ouvidos Eles querem que tapem os ouvidos Não escutem isso: O que eu tenho a dizer Como eu disse, crer não é poder E agora, o que é que vai te entreter? Sabendo de tudo e querendo estar surdo Está cansado de ser tão profundo Quase pensando em apertar o botão e explodir Quase pensando em estender a mão e sumir Mas sabe que, no fim, não tem pra onde ir Então tu se limita somente a rir Pra cá e pra lá, sem saber o que vai falar Mas sabendo que, no fundo, vai se vingar De toda essa escravidão do teu posto Pra ver teu ódio, irmão, no rosto Tratado como um encosto de vadias Tratado como o carro que bloqueia as vias Considerado falho com tantas feridas Sujeitado ao pior de todas as vidas Justamente por ser o que sabe mais Se tornou o que mais é humilhado Desesperado, assim tão amedrontado Não é à toa que você se tornou um viciado Nisso, nesses prazeres do momento Mesmo sendo assim continua vivendo E vai obedecendo a essas tolas regras Me pergunto mais o que é que dele será Acho que não adianta pensar Acho que teremos que esperar Que?