Mesmo em meio, a mais intensa tempestade A música é a genuína, voz da vontade Inigualavelmente à luz, da subjetividade Como nenhuma outra, artística atividade Encontrando ou não, alguma cumplicidade Ressoa em cada, canto desta cidade Durante o melódico arrebatamento A intérprete nasce do instrumento Sob o manto do próprio sentimento Em face da letra vital sacramento Lacrimejando um particular juramento Entoando de peito, seu íntimo lamento A voz de uma mulher cantarolando Os sonhos da humanidade velando A todas as criaturas, alando Misteriosas sereias enlevando Ah essa vida, nos vai levando Deus negra iyabá, nos embalando Sagradas vozes que o tempo não silencia Cantando conforme o modo que se vivencia Ao fazer de cada sílaba um parto, elza evidencia Com coragem a dor que não se negligencia Alaíde, sofisticada canta suavemente e sentencia Esperança nos milagres que o tempo propicia Leny, em improvisos, rasga o ar da noite em, jazz bossa Áurea joia lapidada no breu, que até o silêncio endossa Autenticidade acordando o trovão, no soul e com suingue é sá Cortes jura para linda flor, e no teatro de revista se empossa Quelé evocando firmeza ancestral no chão que a palavra amossa Meiga presença, a enluarada em canção do amor demais é coisa nossa A voz de uma mulher cantarolando Os sonhos da humanidade velando A todas as criaturas, alando Misteriosas sereias enlevando Ah essa vida, nos vai levando Deus negra iyabá, nos embalando No canto de rainha, alguém me avisou que é sonho meu Loba, afinado trompete vocal em marrom veludo, resplandeceu Dama do encantado, a malandragem no microfone alvoreceu O samba leci (ona), espelho que o povo se reconheceu Pérola embrasada, que o calor do partido alto acendeu Na noite do meu bem, o negócio é amar, compreendeu? Pittman ao mundo sinhá pureza ensina a dança do carimbó Passos ou marya colin, as rosas ornando à canção com xodó Cantiga por luciana, uma geração a dizer olha eu aqui ó, ó, ó Em itamaracá, uma roda de ciranda anuncia que ninguém está só No coito das araras, estilhaços de amor se espalham sem dó Eu sou a outra!, obsessão, a boneca de pano tem borogodó A voz de uma mulher cantarolando Os sonhos da humanidade velando A todas as criaturas, alando Misteriosas sereias enlevando Ah essa vida, nos vai levando Deus negra iyabá, nos embalando A voz de uma mulher cantarolando Deus negra iyabá, nos embalando A voz De uma mulher Cantarolando